
Nem feliz, nem triste. Estou bem. Mudaria muitas coisas, se pudesse. […] Mudaria quase tudo. Enjoei de brincar de sorrir. Cansei de fingir não me importar. Prometi esquecer tudo que já passou, mas perdi a hora. E agora, sinto um aperto. Um aperto no coração. Sinto-me falsa comigo mesmo. Por não admitir oque sinto, me sinto confusa em relação a tudo. Continuo brincando com oque não deveria. Continuo fingindo coisas que não deveria fingir. E ainda prometo atitudes que não consigo ao menos cumprir. Culpo-me por tudo que acontece a mim. Obvio. Eu sou a única culpada. Quem mais teria a culpa? Queria eu colocar a culpa desse peso em outras pessoas. Mas as minhas atitudes, boas ou ruins, me fizeram chegar a esse ponto. Procura-se mesmo é alguém que seja culpado por descomplicar tudo isso, que não tem nome e nem sobrenome, que eu não faço ideia do que seja, mas que gostaria muito que sumisse de dentro de mim. Ao acharmos essa pessoa, faríamos uma festa, com direito a um presente: “O alivio”. Escrevo textos, cito frases, penso e falo sozinha. Imagino, crio expectativas com a esperança que possa ajudar. Mas só ganho uma coisa, a decepção. A decepção de ver momentos se apagarem com o tempo, e não vim nada para substitui-los, a decepção de ver as pessoas partirem, ao menos sem dizer adeus, sem uma despedida decente. E talvez assim seja melhor, sem se falar por alguns dias até que eu os esqueça completamente. Porque despedidas me irritam. E dizer adeus, nunca foi fácil. Mas te ignorar nunca foi tão difícil. E esquecer de tudo é tão, tão, tão. Impossivel. Aprendemos a conviver com a dor, e jamais a esquece-la. deepsociety